Nesta edição especial de 36 anos do escritório, o BPJN-RMA traz uma entrevista com o nosso fundador e CEO, Ronaldo Correa Martins. Um bate papo descontraído sobre o passado, o presente e o futuro do Direito nos negócios.
Ronaldo, 36 anos é uma marca importante. Como você vê essa trajetória?
Estamos apenas no início de uma nova jornada. E com isso muito mais responsabilidades. Quando fundamos o escritório em 1990, tínhamos uma visão clara: o Direito não deveria ser um “não” automático, mas uma ferramenta que viabiliza negócios de forma segura. Três décadas depois, vejo que conseguimos não apenas manter essa visão, mas evoluir com ela. Passamos do mimeografo e da máquina de escrever à inteligência artificial sem perder a essência: colocar as pessoas e seus desafios no centro.
Você tem uma formação multidisciplinar: Economia, Contabilidade e Direito. Como isso moldou sua visão de advocacia?
Essa trajetória foi fundamental. A Economia me deu a visão sistêmica dos negócios. A Contabilidade me ensinou a linguagem financeira das empresas. E o Direito, naturalmente, foi o instrumento de viabilização da nossa proposta de valor. Quando trabalhei na implantação da Fiat Automóveis no Brasil, percebi que essas três áreas precisavam conversar. Um incentivo fiscal não é apenas uma questão legal; é uma oportunidade econômica que precisava ser estruturada contabilmente. Essa integração virou nosso DNA.
O LPO-RMA (Legal Process Operation) é um modelo que você chama de revolucionário. O que o diferencia?
É visível as transformações que as empresas estão enfrentando. O atual BPO tradicional é basicamente terceirização de tarefas. O nosso é diferente: é uma parceria estratégica quando o escritório assume a responsabilidade integral pela gestão jurídica do cliente. Usamos tecnologia, sistemas próprios, inteligência artificial e automação, mas nunca abrimos mão do acompanhamento humano. É tecnologia a serviço da estratégia, não o contrário. E isso permite as gestores jurídicos das empresas, aprofundar sua atuação no core business da empresa, buscando toda segurança jurídica e otimização dos modelos de negócios.
O escritório desenvolveu sistemas de TI próprios. Por que não usar soluções prontas do mercado?
Porque as soluções prontas não conversam com a realidade do nosso cliente. Cada empresa tem processos únicos e desafios específicos. Quando você tenta encaixar uma solução genérica, perde flexibilidade. Decidimos montar uma equipe interna de programadores e consultores especializados. Sim, exigiu mais investimentos no início, mas ganhou-se autonomia, velocidade e, principalmente, a capacidade de customizar. Hoje, nossos clientes acessam um Business Intelligence Artificial que gera relatórios em tempo real, de acordo com suas necessidades internas.
Qual foi o caso que mais marcou sua carreira?
A tese que levamos ao STJ sobre correção monetária de créditos tributários escriturais. Uma grande multinacional, de grande porte acumulava créditos que ficavam “congelados” enquanto o preço dos equipamentos subia com a inflação. Agravado pelo ciclo de produção que era de aproximadamente 2(dois) anos. Estruturamos uma tese jurídica sólida, com fundamentos econômicos, e o STJ reconheceu o direito à correção monetária dos créditos. Não foi apenas uma vitória para o cliente. Abriu um precedente que mudou o debate sobre atualização de créditos. Isso é o que acredito que o Direito deve fazer: não apenas resolver um problema específico, mas contribuir para a evolução do sistema tributário.
Como você vê o futuro da advocacia com a inteligência artificial?
A IA é uma ferramenta extraordinária, mas não é mágica. Ela pode automatizar tarefas repetitivas, analisar volumes imensos de dados, identificar padrões. Mas quem toma decisão é o ser humano. A sensibilidade, a empatia, o julgamento; e esses fatores não são replicáveis por máquinas. O advogado do futuro será aquele que souber usar a IA como aliada, liberando tempo para pensar estrategicamente. Os que não se adaptarem ficarão para trás.
Você já disse em outras ocasiões que prefere focar no futuro. O que ainda está por vir?
Muita coisa. Estamos explorando novas frentes em ESG, compliance regulatório e planejamento sucessório e familiar. A Ripol Alliance, multi-family office, que tem a nossa curadoria jurídica está crescendo significativamente. O que me move é a sensação de que ainda temos muito a aprender e a contribuir, na integração jurídica, econômica e finanças, com o redesenho da arquitetura empresarial, financeira, patrimonial e familiar.
Qual conselho você daria para quem está começando na advocacia?
Três coisas: primeiro, estude sempre. O Direito é vivo, está em constante transformação. Segundo, mantenha a mente aberta para outras disciplinas: Economia, Administração, Tecnologia, entre outras. Terceiro, lembre-se de que por trás de cada processo, contrato ou parecer, há pessoas com sonhos, medos e esperanças. O Direito que vale a pena é aquele que humaniza, que resolve problemas reais. Não seja apenas um aplicador de normas.